Eles ligam, ligam e ligam. O telefonema da moça que vai fazer a cobrança ninguém quer receber, mas, quando acontece, é uma oportunidade de negociar. “Se eu te der um desconto, o senhor consegue efetuar esse pagamento? O que que eu posso te ajudar?”, pergunta a negociadora Solange Villalon.

Na lista de devedores tem um montão de gente que entrou no vermelho e não está conseguindo pagar a prestação de jeito nenhum. Até quem tinha comprado carrão. E os bancos, que antes davam um tempinho a mais, agora não querem esperar.

“A cobrança chegava para nós iniciarmos o processo com 31 dias. Esse semestre já teve uma mudança, isso antecipou já em alguns bancos, já se começa a cobrar com dez dias, entre dez e 15 dias de atraso e isso reflete também na parte de ajuizamento também da cobrança”, afirma o diretor de planejamento da Localcred, Alexandre Rodrigues. Ajuizamento da cobrança é quando o banco manda pegar o carro de volta.

Mas quem está devendo pode fazer de outro jeito. Uma coisa que o pessoal percebeu é que aumentou muito a quantidade de carros que foram devolvidos aos bancos e financeiras por clientes que não conseguiam mais pagar a prestação do veículo, e aí tiveram que se desfazer da dívida, desapegar mesmo, entregar o carro. Só na manhã desta quinta-feira (23) chegaram ao pátio 60 veículos, 50 deles foram entregues pelos próprios compradores.

“A partir desse ano, a gente notou uma iniciativa maior dos devedores, impulsionada logicamente também pelas ações de cobrança, em que a entrega amigável hoje está no patamar maior do que a recuperação judicial do veículo por inadimplência”, diz o diretor executivo do Instituto Geoc, Célio Lopes.

O resultado? Um mar de carros. Isso em apenas um dos muitos pátios de leilões em São Paulo. “Nós recebíamos 1,9 mil carros por mês, e estamos recebendo 2,4 mil veículos por mês. Nós estamos falando de veículos leves”, aponta o leiloeiro Ronaldo Milan.

Mas, se você está na forca sem conseguir pagar a prestação, fique ligado: nem essa “entrega amigável” nem a recuperação judicial acabam com a dívida com o banco. O carro que vai para leilão é vendido por um preço pelo menos 15% menor que o de mercado. Esse dinheiro da venda vai para o banco e é usado para abater as prestações que estão em aberto, mas nem sempre é suficiente. “Se o valor foi abaixo da dívida do cliente, restará ainda um saldo devedor. Quem deverá pagar é a instituição financeira”, explica Lopes.

O Procon orienta o de sempre nessa hora de aperto: chora, negocia. “É muito importante que o consumidor consiga essa renegociação com a empresa. É um momento até de apresentar uma proposta, uma medida conciliatória, para poder quitar o valor”, diz a coordenadora da área técnica do Procon-SP, Renata Reis.

Fonte:  G1.com.br

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